Marcha pela Saúde

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Formação de jovens / voluntárias da UMAR
“30 Anos da UMAR e os desafios da intervenção feminista no século XXI” 10, 11 e 12 de Março de 2006

A Formação Interna de técnicas/os, voluntárias/os, assim como das próprias associadas tem sido uma dimensão relevante no trabalho da UMAR. Igualmente, os campos de intervenção da nossa acção exigem permanente renovação e actualização para que posamos dar respostas adequadas aos desafios do nosso tempo. Neste ano de 2006, que constitui também um período que queremos dedicar às comemorações dos 30 anos da nossa associação, dedicamos a formação às áreas prioritárias do trabalho no terreno que vimos desenvolvendo, nomeadamente no campo do combate à violência contra as mulheres.

Objectivos

Com esta formação de jovens / voluntárias pretende-se:

  • construir pontes entre o passado e o futuro nas lutas pelos direitos das mulheres;
  • articular a intervenção em áreas específicas como a violência com as perspectivas feministas e uma visão emancipatória de direitos humanos e de luta pela transformação social;
  • partilhar e construir saberes teóricos e saberes técnicos, assim como vivências pessoais e colectivas;

Metodologia

A formação consistirá em momentos e espaços diversificados, abrangendo os seguintes temas:
A História da UMAR e os Feminismos em Portugal, O internacionalismo feminista e a Marcha Mundial das Mulheres, A Violência contra as mulheres, Intervenção comunitária e social e Desenvolvimento Local, Aborto e Direitos Sexuais e Reprodutivos.
Neste espaço-tempo de formação, que designamos “30 anos da UMAR e os desafios da intervenção feminista no séc. XXI”, propõe-se que nos diversos temas / painéis se diversifiquem metodologias e formas de apresentação. Assim, em alguns casos, as temáticas serão apresentadas através de “comunicação”, noutros serão utilizadas  formas como o teatro, a expressão dramática, e outras estratégias formativas. Ter-se-á em conta a importância da participação activa de todas, em que todas possamos ser formadoras e formandas, actoras e espectadoras, nos diversos tempos deste fim-de-semana.
Constitui uma formação interna à UMAR, embora possa estar aberta a participantes externas que, de alguma forma, tenham colaborado ou queiram vir a colaborar com a organização.

Programa | pdf 71kb
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Fundação Calouste Gulbenkian, 2 Dezembro 2009
Organização Embaixada do Chile e UMAR
Evento: Conferência da Ex.ma Senhora Presidente da República do Chile, Dra. Michelle Bachelet Jeria sobre “Género e Participação Política: a Experiência do Chile”.
Maria José Magalhães – Presidente da UMARInvestigadora do CIIE-FPCEUP

Em nome da UMAR – União de Mulheres, Alternativa e Resposta, é com muita honra que recebemos a Ex.ma Senhora Dra. Michelle Bachelet Jeria, Presidenta do Chile, no nosso país, a quem agradecemos, desde já, a possibilidade da realização deste evento e da conferência sobre “Género e Participação Política: a Experiência do Chile”.

Foi neste mesmo local que, há um ano, realizámos um congresso Feminista, 80 anos após a realização do último congresso feminista em Portugal, para o qual, a Fundação Calouste Gulbenkian teve um papel muito importante, na pessoa do seu Presidente, Dr. Rui Vilar, pelo que, mais uma vez, reiteramos os nossos agradecimentos, agora também por esta colaboração.

Apresentamos também a nossa gratidão à Embaixada do Chile em Portugal, pela concretização da ideia inicial que, sem esta colaboação preciosa não teria visto a luz do dia.

Agradeço ainda a presença da Senhora Secretária de Estado Para a Igualdade, Mestre Elza Pais, quer em termos pessoais quer em termos feministas, congratulando-nos por esta oportunidade de partilha e diálogo feminista internacional.
Uma palavra de agradecimento também às organizações e mulheres, sem esquecer Manuela Góis, a quem devemos a ideia, a energia e o esforço de organização e de tecitura para esta realização.

Este evento consiste numa oportunidade de fruir de um encontro com uma mulher Chefe de Estado, representando a longa caminhada que as mulheres, no mundo inteiro, temos vindo a fazer, para destronar o sexismo e o patriarcado.

Tão reduzido o número e sempre tão efémero de mulheres em altos cargos dos governos de Estados-nações torna ainda mais significativo este momento de re/conhecimentos mútuos. Em Portugal, onde apenas Maria de Lourdes Pintasilgo chegou ao cargo de Primeira-Ministra, partilhar da experiência com a Ex.ma Senhora  Presidente da República do Chile, Dra. Michelle Bachelet Jeria, conhecendo a sua trajectória como lutadora contra a ditatura, de cidadã activa e impulsionadora de um conjunto de políticas que melhoraram o nível e qualidade de vida de chilenas e chilenos, reduziram as desigualdades sociais e proporcionaram uma maior igualdade de oportunidades.

Neste sentido, este constitui um momento privilegiado para recordar a dimensão internacionalista do movimento feminista, tanto hoje, como outrora, em que, desde as primeiras obras, desde as primeiras acções políticas, as feministas se aperceberam da dimensão transversal da dominação patriarcal – que não conhece fronteiras de classe ou de etnia / “raça” entre aspas, de estado ou nação, de orientação sexual ou capacidade, região ou religião, idade ou identidade. Esta aguda percepção de que escravas e “senhoras” (entre aspas), ambas estavam à mercê dos seus ‘donos’ / “masters” e algozes coloriu de internacionalismo este movimento que sempre se quis de várias cores, tonalidades, nuances, polifonias. Assim, também, e as palavras são relevantes, inscrevendo este momento no internacionalismo feminista luso-latino-americano.

E é neste percurso internacionalista, onde a Marcha Mundial das Mulheres tem inscrito alguns “andantes”, que nos situamos hoje e aqui para receber, ouvir e partilhar experiências e subjectividades femininas em percursos políticos femininos entre Portugal e República de Chile.

Política, enquanto tomada de vez e de voz, da palavra, na decisão sobre os destinos da polis, do lugar do espaço público, algo de que as mulheres têm sido historicamente arredadas, excluídas, a quem tem sido negado o direito a uma voz – é agora alvo da nossa reflexão, num país em que já conseguimos a paridade na lei, mas onde precisamos ainda de lutar pela paridade na vida.
Lembrar também as sendas semelhantes entre os nossos dois países, que viveram regimes ditatoriais tremendos, regimes que cortaram anteriores experiências tacteantes de democracia, e que, com muito sangue, mágoa e sofrimento, foram derrubados para reinstaurar a democracia.

Em Portugal, nestes 35 anos de vida democrática, muito se percorreu, de um tempo em que as mulheres não tinham direito (universal) ao voto, nem a sentar-se nas mesmas secretárias das escolas ao lado de seus irmãos e amigos da mesma idade, onde o marido tinha direito de vida e de morte sobre a sua esposa e filhos e filhas (direito revogado pouco antes do fim do regime fascista), onde as mulheres não podiam ser magistradas nem cirurgiãs, onde às jovens estava proibido vestirem calças para irem para o liceu, muito já andámos, mas ainda muito caminho temos pela frente para conseguirmos uma igualdade na vida, a paridade nas diversas dimensões da vida social, incluindo a esfera da vida privada e da intimidade.

A importância da participação das mulheres, o seu empoderamento, a sua assumpção como sujeitos políticos, assim como o seu agenciamento individual e colectivo, estão hoje mais do que evidenciados como indicadores de desenvolvimento social e também económico de um país, de uma região, e, no entanto, ainda não conseguimos o direito a uma voz política das mulheres, das suas associações, ao estatuto de actor/a político/a, enquanto parceiro/a para sermos ouvidas nas decisões ou na sua discussão, como referimos na Agenda Feminista 2009.
Luta é mudança, transformação, ms é também memória, e a história registará o significado político desta conferência com a Ex.ma Senhora Presidente da República de Chile, uma mulher Chefe-de-Estado, que não há muitas, mas, sobretudo, com o percurso e obra de Michelle Bachelet.

O feminismo é um projecto em aberto, plural e polifónico que se alimenta das nossas vozes e experiências, emoções e memórias, dos caminhos e veredas transcorridos e das visões projectadas para viagens transfronteiras atravessando oceanos e continentes, safando as linhas que nos dividem, procurando, com a efémera característica das qualidade humanas, a solidariedade internacional, a sororidade entre movimentos, a criatividade dos gestos, das vozes e dos olhares que nos permitam melhorar a justiça social nas nossas sociedades, contribuindo para a transformação emancipatória das vidas das mulheres, das nossas vidas, nos nossos dois países e, se possível, no mundo inteiro.  

Finalizava com a voz de Gabriela Mistral, num poema de apelo ao envolvimento dos corpos e da natureza, na festa e na alegria da mudança.

Dame la mano

Dame la mano y danzaremos;
dame la mano e me amarás.
Como una sola flor seremos,
como una flor, y nada más…

El mismo verso cantaremos,
al mismo paso bailarás.
Como una espiga ondularemos,
como una espiga, y nada más.

Te llamas Rosa e yo Esperanza;
pero tu nombre olvidarás,
porque seremos una danza
en la colina y nada más...

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