Marcha pela Saúde

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No dia 8 de Março, a UMAR - União de Mulheres Alternativa e Resposta vai entregar no Parlamento um "Kit pela Paridade" aos deputados e deputadas.

Para explicar o conteúdo do KIT vai ser realizada uma breve conferência de imprensa às 13h30m na porta principal da Assembleia da República e a partir das 14h a entrega do referido "Kit" aos grupos parlamentares e aos deputados e deputadas.
A esta realização da UMAR irão associar-se algumas figuras públicas que aceitaram o convite da UMAR para estar connosco nesta acção.
Agradecendo a presença da comunicação social nesta iniciativa.

A Presidente da UMAR
Elisabete Brasil

Lisboa, 6 de Março de 2006

Contactos:
969373703
964008315
964107442

UMAR - União de Mulheres Alternativa e Resposta
R. S. Lázaro, 111, 1º - 1150-330-Lisboa
T: 21886709

Não às discriminações com base na orientação sexual!


A UMAR, União de Mulheres Alternativa e Resposta solidariza-se com Teresa e Lena duas mulheres lésbicas que, vivendo em comum há três anos, tomaram a decisão de se casar.

A UMAR, como organização feminista, que completa este ano trinta anos de existência, sempre tem pugnado pelos direitos das mulheres, lutando contra todas as formas de discriminação e contra a sociedade patriarcal. Neste momento, solidariza-se com estas duas mulheres que, de forma corajosa, lutam pelo direito à felicidade e pela igualdade de direitos e contra as discriminações, conforme a Constituição consigna no seu artigo 13º.

A UMAR apoia igualmente os esforços das organizações LGBT portuguesas com quem tem estado em diversos momentos, no sentido de ver reconhecido o direito ao casamento civil para todas as cidadãs e todos os cidadãos independentemente da sua orientação sexual.

Pela Direcção da UMAR

Lisboa, 31 de Janeiro de 2006
No dia 28 de Janeiro, num jantar realizado no Mercado da Ribeira, a UMAR homenageou as feministas das décadas de 1970 e 80. Tal como afirmou a presidente da UMAR, Elisabete Brasil, “a UMAR sentiu este seu primeiro acto público das comemorações dos seus 30 anos como um dever histórico”.
Estiveram presentes mais de 150 mulheres num ambiente de grande alegria e de reencontro.
Da intervenção de homenagem destacam-se as seguintes palavras:

"Elas ousaram escrever um livro de ruptura com um tempo histórico, de clausura para as mulheres e para o país.
Quiseram incriminá-las. O livro foi apreendido.
Mas as solidariedades geradas, em especial de feministas de várias partes do mundo, levaram à formação do Movimento de Libertação das Mulheres em Portugal, no dia em que foram absolvidas, a 7 de Maio de 1974.
Elas quiseram destruir símbolos da opressão das mulheres e para isso manifestaram-se no parque Eduardo VII.
Acto público mal amado, deturpado, queremos hoje e aqui, neste mês de Janeiro, trinta e um anos depois, valorizá-lo através da homenagem a feministas que o protagonizaram.
Elas deram visibilidade aos quotidianos das mulheres através da sua escrita em jornais e revistas.
Elas afirmaram-se como feministas apesar dos riscos de marginalização.
Elas falaram das sexualidades quebrando tabus.
Elas ousaram fazer um programa para a televisão que falava de aborto, trazendo para o debate público, o direito à contracepção e à interrupção de gravidezes não desejadas.
Elas geraram solidariedades em torno dos julgamentos de Maria Antónia Palla e de Conceição Massano.
Elas pressionaram mesmo o poder político para colocar na agenda política a legalização do aborto.
Elas ousaram exibir dentro da Assembleia da República umas camisolas que diziam "Nós abortámos".

Elas ousaram falar da dominação masculina e procuraram tornar visível a violência sobre as mulheres.
"O pessoal é político" - disseram e escreveram.
E escreveram muitas outras coisas em brochuras, revistas, folhetos: "A Lua", "8 de Março", "Não Andes às cegas", "As Bruxas", Artemísia", "Romper o Cerco", revista "Mulheres", "Mulher d'Abril" e muitas outras publicações.
Elas criaram mesmo uma cooperativa editorial de mulheres e um centro de documentação e informação, que na Rua Filipa da Mata foi ponto de encontro de muitas feministas. Elas traziam do estrangeiro livros que por cá não circulavam.
Elas organizaram em Lisboa, pela primeira vez, um seminário internacional sobre violência contra as mulheres, no monumento das descobertas.
Elas também formaram grupos de mulheres em Coimbra e no Porto. Fazendo encontros, debatendo, agindo. Formaram mesmo uma cooperativa de serviços e lançaram uma revista.
Elas teceram projectos numa base de cumplicidade, semeando solidariedades."

Tratou-se de uma homenagem que há muito era devida a estas feministas.
Uma a uma, elas subiram a um pequeno palco. Três jovens da UMAR entregaram-lhes flores, o CD elaborado para esta homenagem e um cartão comemorativo dentro de um envelope lilás. Foram também estas três jovens que falaram do futuro e que lhes agradeceram o seu contributo determinante para que o feminismo em Portugal não tivesse ficado esquecido.

Não falamos nesta pequena notícia do nome de cada uma delas pois temos receio de nos esquecermos de algum.
Importante foi termos estado todas juntas num jantar que ficou decerto na memória de cada uma de nós.
Primeiro, pediram-lhe para ficar de pé,
no meio da sala,
junto de uma cadeira de plástico verde.
E ali ficou à vista de todos, bem iluminada, pelos néons filtrados por panos brancos drapeados como nas tendas de casamento, a dizer em voz estranhamente alta o nome completo, os seus 24 anos, o estado civil - solteira - a morada no bairro social do Cerco do Porto.
Depois deram-lhe autorização para se sentar e começaram com perguntas difíceis de responder.
Devia explicar-se sempre, e sempre com a verdade, avisara a presidente do colectivo do 4º juízo do Tribunal Judicial da Maia. Mas não demorou muito para que as lágrimas lhe aguassem as palavras e os soluços lhe quebrassem as frases.


Rosa Ruela/Ana M. de Carvalho, in Visão, 15/11/2001

17 mulheres têm vindo a ser julgadas no Tribunal da Maia do Porto por terem interrompido uma gravidez que não desejavam.
Independentemente da sentença que venha a ser proferida já ninguém lhes retira meses de intimidação, angústia, de devassidão da sua intimidade.

Nenhuma de nós pode ficar indiferente perante esta afronta ao direito das mulheres poderem decidir da sua maternidade.

Há 23 anos, em Outubro de 1979, no Tribunal da Boa-Hora, em Lisboa, um mesmo tipo de julgamento, da então jovem Conceição Massano e da jornalista Maria Antónia Palla, levou centenas de mulheres a este local.

Este julgamento da Maia recoloca a urgência de alterar a actual lei que criminaliza as mulheres. Deve ser permitido a interrupção de uma gravidez até às 12 semanas, a pedido da mulher, em instituições de saúde públicas. Só assim poderá terminar esta escandalosa humilhação das mulheres, consideradas pela lei actual lei como seres irresponsáveis e menores.

18/1/2002
Boa-Hora

UMAR - União de Mulheres  Alternativa e Resposta
(membro da Plataforma Direito de Optar)
R. de S. Lázaro, 111, 1º - Lisboa - T: 218867096;  F: 218884096

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