Marcha pela Saúde

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A luta das mulheres é feita de persistência

12 de Setembro de 1976 foi a data do nascimento da UMAR. Faz pois hoje 30 anos que a UMAR surgiu, num período marcado pelas grandes movimentações populares do pós 25 de Abril. Nessa altura, eram as lutas nos bairros pelo direito a uma casa, pelo direito a creches, a luta nas empresas por um salário justo e pelo direito ao emprego; pela exigência de coisas tão básicas como o direito à água, à luz e a uma habitação digna.
Neste percurso de três décadas, foram inúmeras as lutas, as prioridades e as movimentações em que a UMAR, enquanto organização de defesa dos direitos das mulheres, esteve envolvida. Só ou com outras organizações de mulheres portuguesas; em fóruns ou redes feministas internacionais ou com os movimentos sociais, a UMAR persistiu num combate feito de muitas barreiras mas sempre estimulante porque tem como objectivo a construção de um mundo melhor, sem desigualdades nem discriminações e onde as mulheres exerçam plenamente os seus direitos de cidadania.
Para assinalar este aniversário, a UMAR vai realizar um jantar no próximo dia 23 de Setembro, pelas 20 horas, no Mercado da Ribeira, em Lisboa, com um programa cultural que inclui a presença de alguns artistas e a exibição de um filme sobre este percurso de trinta anos. Este jantar junta antigas e jovens associadas, amigos e amigas e, para além de ser um momento de celebração, é igualmente um momento de convocação para a próxima batalha do referendo à despenalização do aborto na qual a UMAR tem posto toda a sua energia ao longo de grande parte da sua vida.

Lisboa, 12 de Setembro de 2006
A Direcção da UMAR

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Queremos homenagear, neste dia simbólico da luta pela legalização do aborto em Portugal, uma mulher que morreu de aborto na cidade do Porto. É habitual homenagearem-se mulheres de renome. Contudo, há muitas que são silenciadas para sempre. Queremos resgatar do silêncio a Lisete Moreira. Queremos prestar homenagem a TODAS as mulheres que morreram pela mesma razão e que permanecem silenciadas.

LISETE morreu em consequência de complicações por aborto ilegal e inseguro a 8 Março de 1997. Paradoxalmente, a questão estava a ser discutida na Assembleia da República e a lei pela despenalização do aborto não passou pela diferença de um voto.

A 3 de Março de 2004, na Assembleia da República, a coligação de direita PSD/CDS-PP recusou aprovar um referendo que desse a palavra às cidadãs e aos cidadãos portugueses sobre a alteração da actual lei do aborto que criminaliza as mulheres e as coloca em tribunal. Em Maio de 2005, Jorge Sampaio vetou a promulgação do referendo porque, em seu entender, o texto provisório da Constituição Europeia era mais importante do que as vidas das mulheres.

Os julgamentos, as humilhações, as consequências na saúde das mulheres e até, no caso da Lisete, a morte, apenas “incomodam” o poder político.

Algumas destas consciências “incomodadas” dos defensores do Não à legalização do aborto estão a lançar uma petição para suspensão dos julgamentos, deixando tudo na mesma. Ou seja, não lhes interessa se as mulheres morrem ou sofrem de problemas na sua saúde por abortos ilegais e inseguros. No entanto, temos de levantar a nossa voz para que nenhuma mulher morra por um aborto ilegal e inseguro. Nós dizemos: se querem suspender os julgamentos, suspendam-nos definitivamente: legalizemos o aborto a pedido da mulher!

PELO ABORTO LEGAL E SEGURO PARA TODAS AS MULHERES!
UMAR, 28 de Junho 2006

A UMAR - União de Mulheres Alternativa e Resposta lamenta profundamente o veto do Presidente da República à Lei da Paridade.
Trata-se do primeiro veto de Cavaco Silva desde que tomou posse no passado dia 9 de Março e esse veto é bem significativo da falta de sensibilidade da Presidência da República para os direitos das mulheres e para o aprofundamento da democracia que representa a introdução da paridade nas leis eleitorais. Esta atitude do senhor Presidente da República coloca Portugal atrás de um conjunto de países europeus que já avançaram com alterações legislativas neste sentido.
O Presidente da República não reconheceu nesta lei uma forma de inverter uma situação de enorme desequilíbrio na participação das mulheres na vida política. Nos seus argumentos, alinha com quantos sempre se opuseram à paridade, revelando uma atitude de submissão às concepções mais retrógradas que propiciam a manutenção da actual situação de falta de representatividade das mulheres no poder político e que nada tem a ver com o seu mérito ou competências. Quando com a aprovação da Lei da Paridade no passado 20 de Abril a UMAR e muitas mulheres deste país rejubilaram por esta lei criar mecanismos de reposição do direito à participação equilibrada dos dois géneros nas listas para os diferentes órgãos do poder, acreditávamos que finalmente se começaria um percurso de visibilização e inclusão das mulheres na vida política. Tal não foi o entendimento do senhor presidente da República, para quem na sessão comemorativa do 25 de Abril deste ano a palavra de ordem foi a inclusão.
A luta contra o conservadorismo que tem impedido a visibilidade das mulheres na política, que restringe direitos de participação e que discrimina as mulheres na sociedade é um dos objectivos da luta da UMAR e de muitas mulheres e homens progressistas deste país.
Preocupa-nos este sinal que é dado à sociedade portuguesa com o veto do presidente. Mas continuaremos a bater-nos, enquanto organização feminista com 30 anos de vida e de lutas pelos direitos das mulheres. Sabemos que não estamos sós.

Pela Direcção da UMAR

Lisboa, 2 de Junho de 2006

A UMAR - União de Mulheres Alternativa e Resposta considera que a iniciativa legislativa que propõe suspender os julgamentos por prática de aborto mas que persiste na culpabilização das mulheres sujeitando-as a "medidas de apoio psicológico" é uma falsa ajuda às mulheres que decidem interromper uma gravidez que não desejam.
Encarando as mulheres que decidem abortar como "doentes" e não como pessoas conscientes de um acto que praticam, esta iniciativa legislativa accionada por um conjunto de pessoas que estão contra a despenalização do aborto, pretende "deitar poeira para os olhos" e não deixa de se cimentar no terreno da hipocrisia, característica de quem não quer encarar de frente uma questão civilizacional e de direitos das mulheres, resolvida há cerca de 30 anos na esmagadora maioria dos países europeus.
A UMAR afirma que o verdadeiro apoio que se deve dar às mulheres que interrompem uma gravidez é dar-lhes a legalidade necessária para que possam praticar o aborto em condições de segurança sem colocar em perigo a sua vida e saúde. Esta vertente da clandestinidade do aborto não preocupa os proponentes de tal iniciativa.

Lisboa, 19 de Maio de 2006

Pelo Secretariado da UMAR

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